Bought Defenders - Conhecemos Jimmy, Lillo e Bernard

sábado, julho 04, 2015

Jimmy. Lillo. Bernard. Gravem estes nomes. 
     Eu estive aqui poucos minutos mais cedo, é, eu estive. E eu fiz um pequeno anunciamento de um novo projeto e aqui eu estou para trazê-lo. A coisa que vinhemos preparando toda a semana é simplesmente... é melhor deixar você escolher os adjetivos, não é? Enfim, Bought Defenders.
     Nós pensamos, brigamos, reviramos, mexemos e o mais importante de tudo, criamos a série. Nela você vai acompanhar a história de três personagens distintos e independentes e que esperamos que vocês adorem... Não priemos cânico amiguinhos, vocês vão gostar...

Guilherme Bezerra sobre seu Anjo do Dêmonio

Episódio 1

NÃO É UM BOM DIA PARA SABER VOAR

por Guilherme Bezerra


JIM


Jimmy colocava o travesseiro no rosto para abafar o som de choro. Era o fim do domingo da segunda semana de Agosto. Mais um Dia dos Pais em que seu pai estava muito ocupado com o trabalho para reconhecer a existência de seu filho. Jim não sabia o motivo da surpresa, esse era só o décimo terceiro dia dos Pais que seu pai não aparecia. Quando descera as escadas mais cedo, sua mãe dissera que seu pai tinha ido lhe comprar o maior e melhor presente da loja de brinquedos. Jim acreditaria na palavra da sua mãe, não sendo o caso essa vez, visto que a desculpa era a mesma do último dia dos Pais. Jim deitada e se lembrava que amanhã teria que escutar todos os seus amigos o dizendo como foi o Dia dos Pais deles. Aff. Jim os odiava. Só os tinha como amigos porque seus pais achavam que ele não era normal. Ah, nessas ocasiões seu pai aparecia.
Jimmy tinha pego no sono havia alguns minutos. Sonhava que seu pai tinha aparecido e que todo o dia vivido era só um sonho bem gráfico.  Sonhava que estava vendo seu pai bem ali, na sua frente. Jim abre seus olhos graças a seus reflexos e descobre que seu pai estava realmente lá. Com uma injeção assustadora nas mãos. 
- Não acorde, Jimmy disse ele nossa noite ainda não terminou.  
Jim acordou antes que seu pai pudesse perceber. Estava num quarto pequeno, cheio de computadores e outras coisas que Jimmy não conseguia entender. Seu pai não reconhecia o filho acordado. Usando isso como vantagem, fingiu ainda estar no estado de sono e observava seu pai conversando com outro homem, um senhor de bigodes e de altura comparada a de Jimmy. 
- O projeto Júpiter foi um sucesso! – exclamava, cheio de felicidade, seu pai. 
- A criança não acordou ainda, Michael, não sabemos nada. Comemorações depois. 
- Eu que desenvolvi o projeto Júpiter desde o começo, Edward. Ele vai funcionar.
Jim não fazia ideia do que seu pai estava falando, mas achava que ele tinha muito a ver com isso. Seu corpo parecia mais pesado, porém, ele se sentia normal. Jimmy piscou. Burro! Seu pai percebera que estava acordado. 
- Minha cria acorda! – o pai tinha um sorriso no rosto que Jim não via desde... nunca. Seu pai nunca tinha sorrido com ele.
Seu pai foi até onde ele estava, que só agora Jimmy percebeu que estava amarrado a uma espécie da maca. Jimmy se sentiu mais livre e se levantou. Nada parecia errado. Estava tão bem quanto quando acordara assustado no meio da noite.
Edward sorriu. Não era um sorriso de alegria como o de seu pai. Era um sorriso de satisfação. O projeto Júpiter, aparentemente, tinha sido concluído com sucesso. Jimmy era parte dele, junto a seu pai, mesmo não sabendo como. 
- Uma boa noite para todos, não é? Edward ainda com o sorriso no rosto, sacou uma arma de dentro do seu paletó e apontou para a cabeça de Michael, que estava na sua frente. 
- Você não precisa fazer isso, Ed. Esse é nosso projeto.
 - Você sabe melhor que ninguém que esse projeto não é meu, nem seu. É da corporação. Sorte minha que me pediram para matar você e sua aberração. Antes você que eu.
Jim percebeu que quando o doutor tinha dito “aberração, ele se referia a ele. Não sabia como podia ser uma aberração, muito menos como salvar o seu pai, o que o deixava aflito.
Jimmy tentou chegar onde o pai estava e percebeu seu pé abandonando o chão. Não sabia como estava fazendo, mas o usou como vantagem. Flutuando, correu até onde Edward estava, ele disparou a arma em Jim. O tiro tinha parado em uma parte do corpo de Jim que ele não sabia dizer qual era, mas definitivamente doeu. 
Jim foi mais rápido. Pegou a arma e foi para atrás do doutor. Seu pai quase chorava de alegria. 
- Vá criança, faça! 
- Você sabe que eu não tinha escolha! Edward chorava como um bebê no chão. Implorava a Jimmy a vida.
O homem ameaçava a vida de seu pai e sua própria. Jimmy sabia disso. Fez o que seu pai gritava bravamente ao que parecia horas. O problema era: Jim nunca tinha usado uma arma de fogo em sua vida. Nunca tinha usado nenhum tipo de arma. Como era esperado que ele matasse um homem?
O pensamento só o chegara agora, dentro de poucos segundos Jimmy deveria matar um homem. Tirar a vida de um bastardo que de fato merecia o inferno. Mas, era Jimmy a melhor pessoa para mandar o homem para seu destino doloroso?  Não era mais misericordioso ir a polícia ir denunciar a tentativa de assassinato e dali em diante poderia viver feliz com seu pai e sua mãe?
O homem estava se levantando e Jimmy não pensou. Atirou. Atirou de novo. Não tinha mais nenhum controle sofre a arma e não conseguia parar de atirar. Acabaram as balas e Jimmy consegue ver o cadáver do terrível Dr. Edward nos seus pés. E o seu pai agonizando ao lado.
Algum tiro batera nele e agora era questão de tempo para que ele morresse. Jimmy não sentia nada. Era ele frio ou era o calor do momento.
Lágrimas caiam no seu rosto mesmo que por dentro Jim estivesse tão normal quanto nas noites de segunda assistindo filmes na TV.  Jim se ajoelhou ao lado do pai e se viu no espelho. Não acreditou no que vira. O peso a mais no seu corpo eram assas. Seu pai junto ao outro defunto o tinha condenado a ser uma aberração para sempre.
Jim saiu de lá do melhor jeito que podia pensar. Voando. Nada mal para um primeiro voo.
Não sentiu nada pela morte da aberração de pai que tinha. Infelizmente para Jim, sua mãe sentiu a morte. Surpreendentemente, ela sabia onde era o esconderijo da arma reserva da casa e a usou de uma maneira bem surpreendente no meio de sua testa. 

 
Nenhum parente queria Jimmy. Com pais e avós mortos, tudo que restava ao jovem Jimmy era apelar aos tios, os quais não o queriam. Jim não ligou, não gostava daqueles tios mesmo.
Depois de ser mandando para a adoção, conseguiu fugir no primeiro dia. Ter asas, por fim, o veio a calhar. Voava livre por sua cidade. Parecia estar olhando para o território do Demônio.
Agora, alguns ficariam chocados. Alguns ficariam com medo. Jimmy percebeu que esse seria seu local de operações. Junto a seu amigo de orfanato, Kevin, saia pelas ruas aumentando a fama de endiabrada que a cidade já carregava.
Logo Jim Borboun chegara aos 15 anos de idade, e, acompanhado por Kevin Lesquece, tocavam o terror na cidade.
A camaradagem entre bandidos era só um mito para Jimmy, mas, aos poucos, conseguiu entender como era ter um amigo: alguém que o protegia quando necessário, lembrava seu aniversário e outras datas importantes e que, eventualmente, necessitária proteção também.
Certo dia Kevin aproximara Jimmy no local deles, o último andar de um estacionamento abandonado: O Quartel Bandido, como conhecido por eles.
- Sabe quando eu digo: pense grande ou não pense? Kevin falara. - 
Você nunca disse isso. – Jim respondeu, sentado no cantinho vestindo uma de suas largas camisas as quais podiam esconder suas assas, que estavam bem espremidas. - De qualquer maneira... você quer dinheiro? 
- Sempre.
 - Eu, você. O Anjo e o Mortal. Um banco. 
- Você quer assaltar um banco? – Jimmy se levantou. Sempre assaltara, porém, nunca nada tão grande quanto um banco. Você perdeu o juízo? 
- Temos tudo que precisamos. Velocidade, estratégia.... 
- E quanto aos guardas? 
- Se eles resolverem atacar... você se lembra de mês passado?
Mês passado Jimmy e Kevin estavam fugindo. Kevin nas costas de Jimmy, em alta velocidade. Um policial acabou sendo mais esperto que os dois juntos, e acertou um tiro contra Jimmy. Uma hora depois, depois de alguns minutos de descanso, a marca do tiro tinha ido embora. Era como se nada tivesse acontecido. 
- Não vamos contar com o ovo dentro da galinha, ok?
 - Então... quer dizer que vamos fazer? um sorriso se abriu no rosto de Kevin.
Kevin dissera para o encontrar na plataforma do metro. Jimmy ficou desconfiado, Kevin era a única pessoa que confia em anos, mas, mesmo assim, esse chamado o parecia extremamente duvidoso.
Quando Jim chegou lá, Kevin o esperava, parecendo nervoso. Quando o viu, parecia ter visto fantasma.
 - Jim, que bom que você chegou. 
- O que foi, cara? Você parece nervoso.
 - Eu realmente não queria fazer isso. Kevin sacou uma arma de trás da calça. Eles têm a minha vó, cara.
Kevin tinha uma vó bem doente no asilo. Toda semana a ia visitar, Jim entendia que Kevin fizesse isso pela avó. Queria ele ter um parente pelo qual sair por ai matando pessoas. 
- Oque... eles quem? - Você sabe que o projeto Júpiter era para ser confidencial. Você é a prova viva. Você precisa morrer.
Projeto Júpiter. O projeto transformara Jimmy em uma aberração viva e ele que tinha que pagar por isso.
Kevin ia disparar. Jim não queria acreditar nisso, mas ele ia. O mais rápido que pode, Jimmy voou e pegou a arma do seu amigo. Quando Kevin tentou reagir, Jim o deu um chute. Não sabia ele que na hora que o fez, o trem passara. Pelo desequilíbrio do chute somado ao fato de ter alguém balançando assas ao seu lado, Kevin caiu. O trem passou em alta velocidade e só deixou pedaços do antigo amigo de Jimmy. Kevin morrera.
Mais uma vez o Projeto Júpiter, que para Jim era só um planeta, tinha influenciado na sua vida. Matara mais um por causa disso.
Jim agora tinha uma filosofia de vida e isso o faria ser o maior em seu meio de trabalho: Se todos que já amara tinham morrido em suas mãos, por que não matar o resto?


O governador estava na cidade. E Jimmy Borboun iria o matar a noite.
A cidade era dominada por duas facções perigosas os Underwood e os Borgias. E o governador ajudava, por debaixo dos panos, os Borgias. Então, obviamente, os Underwood iriam o querer morto.
Agora, quem melhor para contratar que o melhor matador da região, o Anjo do Demônio, como tinha ficado conhecido?
Jim agora tinha vinte e um anos, não corria mais de ninguém. Era um homem livre. Passara os anos melhorando suas habilidades e se tornando cada vez mais um melhor assassino: uma máquina de matar.
Se tornara um mercenário sem alma. Cada uma de suas vítimas morriam da maneira que o pagante escolhia e Jimmy não sentia nenhum remorso ao faze-las. Mostrava prazer, até. 
Conseguira transformar a imagem de um Anjo numa coisa diabólica. De primeiro, conseguia arrancar lágrimas dos mais religiosos e desdém dos incrédulos a voar pelo céu, com nada exceto uma calça velha, não revelando sua identidade, sendo só uma criatura voando embaixo do sol. Hoje em dia, fazia pessoas correrem ao ouvirem o menor sinal de assas batendo. Jim tinha se realizado. Não era mais uma criança chorando a espera do pai que nunca vinha. Era temido. Era um homem. Nada estava acima dele. Não tinha nenhum deus. Ele era seu deus.
Se tendo asas o garoto Jimmy já oferecia perigo máximo a sociedade, depois da descoberta da sua resistência a tiros, facadas e adjacências, não teria pessoa nenhuma que pudesse o parar até porque matara todos que poderiam.
O Anjo do Demônio estava pronto, e as 23h01 do dia de hoje, o governador Paul não respiraria mais.  
A noite caíra e Jimmy se arrumava no mesmo local de sempre: o Quartel bandido. Não era o mesmo sem o falecido amigo, Kevin, mas servia para guardar seus equipamentos.
Nada demais: uma roupa vermelha com uma caveira negra no peito e dois furos nas costas para suas magnificas asas – as quais tinha limpado mais cedo -, uma máscara de pano preta com dois furos para os olhos e botas negras simples. Jim gostava de pensar de si mesmo como um vigilante a preço fixo. 
Sua televisão ligada no jornal anunciava o começo do comício. Jim não gostava do governador e sabia que só estava na sua cidade esquecida por deus para ganhar votos na eleição que se aproximava Jim não tinha problemas em matar ninguém, mas incentivo nunca é demais.
No caminho para o local do discurso, Jim parou e assaltou uma mercearia. Não tinha jantado naquele dia, então, era melhor pegar um de seus lanches favoritos e se mandar.
Mesmo com as lendas espalhadas por toda a cidade, sempre tinha alguém que ainda se impressionava ao ver um sujeito de assas. - Nunca viu um não? 
Jim sabia que a resposta seria não.
Quando saiu voando da loja, percebeu um carro preto localizado ao lado da loja. Não estava lá quando ele entrou, tinha certeza.
A janela do banco de trás do carro se abriu. O carro era tão escuro por dentro que Jim não pode ver nada. Algo saiu do carro e atingiu Jimmy. Ele apagou e caiu no chão. 
Jim tinha sido dopado.


Murillo França sobre seu Homem Animal

Episódio 1

De volta ao trabalho

por Murillo França


Lillo


Família. Alguns acreditam que a força do ser humano é a sua família, aquela com quem ele sempre pode contar. E de fato, a família é algo poderoso e único pra cada um, mas o assunto em questão, assunto tabu quando se fala em família é a herança.
Lillo Angel herdou algo muito interessante, algo sempre passado de pai para filho, desde que a família dele vivia na Grécia séculos antes de Cristo. Era o tipo de presente dado em vida, aquele que você não pode recusar, pois faz parte de seu DNA. Algumas famílias passam pros filhos cabelos ruivos, outros passam a miopia, mas a herança passada no código de Lillo era algo muito mais incomum. Uma benção.
Nem mesmo nos vários momentos em que quis se desfazer de seu dom, Lillo duvidou que aquilo fosse uma benção. Afinal, ele tinha um poder dado por deuses que ultrapassou séculos e milênios de gerações.
Na manhã em que seu DNA voltou a bater em sua porta, o jovem Lillo de 17 anos havia acordado atrasado pra faculdade. Se arrumou as pressas e não teve escolha a não ser ir voando. É um dos poderes de família. Lillo conseguia se transformar completamente, ou não, em qualquer animal que ele quisesse, também poderia invocar somente algumas habilidades de determinados animais, como a força de uns ou velocidade de outros.
– Achei que tinha esquecido como fazer isso – comentou Kyle em tom de deboche.
Kyle era outro que também fora abençoado com um dom de família. Aquele lobo devia ter mais de mil anos, e estava com a família dele todo esse tempo se passando por um cachorro normal. Se é que alguém acreditava que um cachorro tão grande como aquele realmente era normal.
– Preciso entregar um trabalho Kyle – explicou Lillo que naquele momento estava com enormes asas brancas nas costas prestes a pular pela janela.
– Pelo menos se transforme completamente, seria estranho verem um adolescente com asas voando por aí – respondeu de volta.
– O meu lobo falante disse que seria estranho me verem voando por aí e eu realmente acho essa frase normal – comentou o garoto em voz alta e depois olhou pro lobo – Confie em mim, só sou visto quando quero.
Lillo pulou da janela de sua casa e abriu as asas voando em direção ao céu. A técnica era apenas ficar contra o sol, mesmo que alguém o visse, iriam achar que era apenas um pássaro. Ele bateu as asas e voou em grande velocidade até conseguir avistar o campus de sua faculdade, agora era hora de ser discreto. Abriu os braços e eles se fundiram as suas asas ao mesmo tempo que o resto de seu corpo enchia-se de penas. Uns segundos depois um pombo branco pousou perto dos portões do prédio.
Lillo voltou a forma do jovem de cabelos cacheados com óculos, e entrou como se nada tivesse acontecido. Quando chegou na sala sentou-se em seu lugar para esperar o professor, aí então tudo parou. Literalmente todos congelaram e um homem com jaqueta preta entrou na sala.
– Lillo Angel.
– Ares? – perguntou o garoto – Você fez isso?
–Tive ajuda – respondeu o deus da Guerra. – Era pra ser um tempinho né? Já faz nove anos.
– Não sei se ainda estou pronto para voltar – respondeu desviando o olhar do deus – Preciso de mais tempo.
– Você não tem – respondeu Ares num tom de voz duro e frio. – Zeus te adora. Afrodite é mole demais com você. Atena te acha sábio. Então, me mandaram dessa vez porque eu sou o único que pode te mostrar a verdade.
Um clarão preencheu a sala e Lillo se viu ao lado do deus numa rua próxima a sua casa. Um menino que não devia ter mais de treze anos atirara com uma arma de fogo num homem acertando sua perna e depois roubara a carteira dele. A cena mudou, eles estavam num prédio. Era um banco e três homens estavam roubando dinheiro e ameaçando as pessoas, Lillo os reconheceu, eram do clube do submundo, um grupo de mutantes meio animais que se organizavam para liderar o crime da cidade. Antes que a cena mudasse Lillo impediu o deus:
– Já entendi, não precisa me mostrar mais nada. – os dois voltaram pra sala de aula congelada – Eu quero impedir isso, quero mesmo, mas não sei se estou pronto para vestir a roupa vermelha de novo.
– A dor que você sente nunca vai passar, mas você pode evitar toda essa dor. O deus da guerra tá pedindo que você lute pela paz, isso não devia dar um credito a sua decisão? – perguntou Ares antes de desaparecer e fazer a sala e todos voltarem ao normal.
Lillo tentou se concentrar na aula e nas apresentações dos seus colegas mas não conseguiu. Ele só despertou totalmente na hora de apresentar o próprio trabalho, e assim que terminou o pensamento de que ele estava desperdiçando o seu dom somente aumentou. Ele tinha o poder de mudar a balança, até Ares queria que ele fizesse alguma coisa, e ele simplesmente ficara quieto?
Quando as aulas acabaram no fim do dia, Kyle estava esperando-o na porta da faculdade. Os alunos já estavam acostumados a ver o imenso cão esperando seu dono na porta da faculdade. Alguns paravam para fazer carinho nele, e outros até tentavam brincar jogando coisas para Kyle ir pegar. Uma vez ou outra o lobo entrava no personagem e fingia ser realmente um cão. Mas isso era raro. Enquanto iam pra casa, Lillo contou a Kyle o que havia acontecido.
– E ele tá errado? Você tinha o que? Sete anos na época? – perguntou o lobo.
– Eu comecei muito cedo, ninguém devia tentar salvar o mundo com cinco anos – comentou Lillo.
– Você não salvava o mundo, você foi parceiro de vários heróis, e em dois anos de carreira, sendo uma criança com poderes fantásticos, você só cometeu um erro. E mesmo assim, eles recomendaram você se afastar por uma semana, e não por uns nove anos – argumentou Kyle encarando o humano.
Lillo ia falar mais alguma coisa, mas tanto ele quanto Kyle se viram calados atingidos por um som estridente. Pros humanos normais era apenas um som um pouco alto. Pros dois, aquela sirene era realmente horrível.
– Banco central – comentou Kyle – Deve ser um outro assalto.
– Ok, o que acha que eu devo fazer? – perguntou Lillo.
– Você sabe o que eu acho, deve assumir seu talento e voltar a ação – respondeu o lobo.
Lillo parou e refletiu. Por mais que as vezes parecesse uma maldição, o dom que ele tinha era uma benção, uma benção única. O poder para mudar o destino das pessoas. Ele tirou seu colar da mochila, nunca se separara dele, tinha um pingente em forma de A pendurado sem eu colar. Lillo o colocou no pescoço.
– Invoco o poder dos deuses – disse.
Um redemoinho vermelho o cercou, e ele estava vestindo de novo seu uniforme e sua máscara.
Lillo abriu asa asas de garça e voou na direção do som. Ao se aproximar, transformou-se em um inseto e assim passou discretamente pelo perímetro de segurança estabelecido pela polícia, e conseguiu entrar sorrateiramente no banco. Quatro homens fortemente armados estavam amarrando e organizando os reféns num canto do banco.
“Vamos ver” – pensou ele em forma de inseto – “Se eu invocar a força de um elefante, e misturar a velocidade de alguns animais, posso derrubar aqueles três em nove ponto oito segundos, mas aquele é o cobra, ele tem um grande ponto de regeneração, um único ataque não vai derrubá-lo como vai derrubar o Rinoceronte, o Crocs, e o Hiena”
Analisou ao constatar as identidades dos ladrões que enfrentava. Concluiu que valia a pena o risco, ele atacaria a maioria dos bandidos deixando os reféns seguros, e assim poderia focar no mais poderoso por último.
“Força de elefante, velocidade dos predadores” – pensou, em seguida voou em alta velocidade, e antes que qualquer um dos ladrões notasse, ele derrubou os três grandalhões, Rinoceronte, Crocs, e Hiena, depois assumiu a forma humana e encarou o Cobra.
– Como...? – o ladrão sibilou sem acreditar, mas então parou e sorriu maliciosamente olhando pra Lillo – Garoto animal?
– Não sou mais um garoto Cobra – respondeu Lillo encarando-o.
– Estou vendo, você cresceu, e não está acompanhado de nenhum herói mais poderoso, resolveu tentar a carreira solo? – perguntou ainda com o sorriso malicioso – Que surpresa começar logo comigo.
– Não tenho mais medo de cobras – respondeu Lillo – você é só um mutante com uma aparência medonha, eu realmente sou uma cobra se eu quiser.
– Uhhh – zombou o mutante – isso devia me assustar?
– Devia sim! – respondeu Lillo pulando em cima de Cobra.
Lillo rugiu assumindo uma forma leonina e mordeu direto no pescoço mutante, depois o arranhou em diversos pontos. As feridas começaram a se fechar, mas Lillo já estava preparado, assumira a forma de uma aranha e o rodeou em alta velocidade, prendendo o bandido com sua teia. Mesmo quando Cobra se regenerou, não conseguiu se salvar do casulo de teias.
– Eu sou um animal, e você é um mutante – Disse Lillo antes de carregar Cobra e os outros bandidos pra fora do banco e entregá-los pros policiais.
– Quem é você? – perguntou o delegado depois que os outros policiais carregaram os bandidos até as viaturas.
– Não me reconhece mais Chefe Ramirez? – perguntou Lillo.
– Garoto animal? – perguntou.
– Agora sou homem animal – confirmou Lillo antes de abrir as asas e voar de volta pra casa.

-Você estava no jornal! – foi a primeira coisa que Kyle disse quando Lillo entrou pela janela.
– Me filmaram? – perguntou o garoto.
– Claro que sim – respondeu o Lobo – você foi ótimo, e muito rápido, nem parece que ficou tanto tempo sem lutar.
– EU VI! – mesmo sem a super audição daria pra Lillo ouvir o grito de Chris.
Lillo olhou pela janela do quarto e viu o amigo lá fora chamando por ele.
– Fale baixo – mandou antes de jogar a chave pro garoto subir.
Chris abriu o portão e subiu a escada correndo, passando pela sala até subir as outras escadas e finalmente entrar no quarto de Lillo. O garoto parou ofegante e ficou ainda mais ofegante ao olhar o amigo com o uniforme completo.
– Sabia! – exclamou – Voltou a ação?
– Tive que voltar – respondeu Lillo. – teve um momento em que quase travei.
– O Cobra não foi? – perguntou Kyle.
– Acho que ele estava lá? – comentou Murillo.
– Mas ele estava lá, você o prendeu – respondeu Chris.
– Não no banco Chris, com o Pantera – explicou Lillo.
– Você nunca especificou isso antes – comentou Chris em resposta.
Quando descobrira os poderes do amigo a primeira coisa que fez foi perguntar porque Lillo havia parado de salvar pessoas. Lillo simplesmente disse que aconteceu uma coisa em uma de suas missões, mas nunca explicou nada. Chamava apenas de “O ocorrido. Com o tempo Chris soube que Pantera, um super vilão mutante, estava no meio.
-Já está na hora dele saber – comentou Kyle – ele já sabe de quase tudo.
– Ok – suspirou Lillo sentando-se em sua cama – Você conhece a benção de Apolo não conhece?
– Claro, é o poder da sua família de saltar raios de fogo pelos olhos. – respondeu Chris – Seu pai usou ele ontem contra o homem de dez rostos.
– Exatamente – confirmou Kyle, que depois olhou pra Lillo para encorajar o garoto.
– Eu era parceiro do Escoteiro na época, tinha oito anos, e foi quando os mutantes começaram a armar suas gangues – continuou Lillo – Vou confessar, sempre tive medo do Cobra, mas nenhum me assustava mais que o pantera. Ele era mais fera do que homem, e uma fera que não me respeitava.
– Os animais o respeitam porque nós o reconhecemos como um de nós – comentou Kyle para fortalecer a explicação do jovem.
– Por isso o Pantera e o Cobra me assustavam. – explicou Lillo antes de retomar a história – Bem, o Escoteiro neutralizou o Cobra e eu fui atrás do Pantera, ele me pegou de surpresa, mas eu ia vencê-lo usando a força de formiga ou de qualquer outro animal com poder de força superior. Mas naquele momento foi quando meu poder do sol apareceu.
– Meu Deus, o que aconteceu? – perguntou Chris.
– O raio azul, o mais quente e o mais poderoso. – respondeu Lillo – Direto no peito dele.
– O raio o atravessou – complementou Kyle.
– Então não foi o Escoteiro? Foi você? – perguntou Chris.
– Ele assumiu a culpa para me proteger, e eu fui afastado. O plano real era eu me afastar por uns três meses, mas eu não quis voltar – encerrou Lillo. – Tem anos e eu ainda não superei isso.
– Mas não foi sua culpa, como você ia controlar um poder que nem sabia que tinha? – perguntou Chris consolando o amigo.
– Acontece que todos achavam melhor eu esperar estar totalmente amadurecido antes de começar, eu comecei muito cedo, cinco anos, sinceramente, foi um milagre a única pessoa que eu matei ter sido por um acidente ocular. – justificou Lillo. – Hoje em dia pelo menos eu tenho mais controle sobre meus poderes e minhas ações.
– E você acha que o Cobra sabe? – perguntou Chris.
– Claro que sabe, Escoteiro estava levando-o até um carro da polícia, eu que fiquei sozinho com o Pantera, ele nunca deve ter acreditado quando o azulão assumiu a culpa – comentou Lillo abaixando a cabeça.
– E agora? – perguntou Chris.
– Agora? Carregarei o manto da família. – respondeu Lillo decidido.

E assim foi. As semanas seguintes, Lillo voltou completamente a ação, durante os intervalos das aulas, aulas vagas, ou realmente no meio das aulas, ele saia apressado sempre que captava perigo com seus sentidos amplificados. Nunca mais tirou o colar do pescoço, era só falar que o colar brilhava e o vestia com o traje vermelho amarelo e verde.
Conseguiu colocar quase todos os mutantes na prisão de segurança máxima, a única adaptada pra todos os poderes animalescos deles. Manter a discrição também tornou-se uma missão integral, quando saia para lutar contra o crime, logo depois de vestir a roupa, ele se transformava em alguma ave pequena e só quando chegava perto do local do crime assumia a forma humana e na volta o mesmo processo, assim seria quase impossível rastreá-lo. Quase. Pois no fim da quarta semana desde sua volta uma jovem ruiva foi até sua casa e lhe entregou um envelope e anunciou calmamente.
– Fui mandada para levá-lo Homem Animal.


E. G. Crispim sobre Bernard

Episódio 1

A rua estava deserta...

por E. G. Crispim


Bernard


A rua estava deserta, era noite e as luzes dos postes davam curtos. Bernard ia andando, cabeça baixa, ombros caídos, nu da cintura para cima, arrastando um ursinho de pelúcia pela perna na sua mão esquerda. Ele continuou caminhando por exatos cinco passos, cinco passos curtos, ele parou, levantou a cabeça vagorosamente e olhou para o lado esquerdo.
Uma criança o encarava de uma janela, ele esboçou um sorriso fino e alegremente maníaco, a criança riu de volta, logo ela se levantou e saiu correndo da janela. Bernard continuou andando, foi em direção a porta, duas grandes cercas vivas faziam o caminho até lá. Ele chegou e ficou parado no pé da porta, cabeça baixa, ombros caídos, segurando o ursinho de pelúcia pela perna na sua mão esquerda.
Um homem e uma mulher abrem a porta, eles olham para frente, para a rua, não veem nada e se prontificam a voltar. Bernard puxa na barra da calça dos dois com sua mão direita, olhando diretamente para eles. Olhos negros como breu e o rosto moreno sujo. Eles tiveram um susto. Mas logo se acalmaram, temiam assustar a pequenina criança.
– Olá, querido. O que você faz assim, perdido na rua? – perguntou a mulher.
Ele olhou direto nos olhos dela, piscou três vezes e disse:
– Mamãe e papai. – sua voz era fininha, como de criança, mas ela soava maquiavélica.
– O que tem eles, carinha? – o homem se ajoelhou e colocou a mão no ombro de Bernard.
– Incêndio. Morreu. – Bernard expressou profunda tristeza enquanto uma única lágrima caia de cada olho.
A mulher olhou para o homem com olhar de preocupação, ele retribuiu. Bernard ficou estacionado, olhando para os dois adultos enquanto o filho deles o encarava de dentro da casa. Ele esboçou um sorriso, Bernard também, mas ainda assim ele estava fixando os olhos nos adultos.
A outra criança veio até a porta e agarrou sua mão e o puxou para dentro da casa.
– Vamos brincar! – disse o menino.
– Você é meu irmão? – Bernard perguntou, virando a cabeça lentamente em direção aos pais da criança.
– Eu não sei. Mamãe, ele é meu irmão? – este também virando a cabeça para os adultos.
A mulher olhou para o marido, não sabia o que responder.
– Eh... Han... – ela gaguejou.
– Sim, Jay, todos nós somos irmãos, somos filhos de Deus. – o pai resolveu.
Bernard observou a reação do casal, ele sabia que o outro garotinho, Jay, não era seu irmão. Na verdade, ele sabia de muitas coisas que ninguém mais tinha conhecimento.
– Mamãe, ele pode ficar conosco? – perguntou Jay.
– Sim, Jay, ele pode. – O pai interveio.
– Mas... – a mãe começou, mas foi logo interrompida. O homem fez sinal para que ela a seguisse.
Os adultos saíram de cena e as crianças ficaram brincando na sala com vários brinquedos que estavam espalhados pelo chão. Era noite quando elas se cansaram, a mãe de Jay apareceu trazendo lanches para os dois.
O lanche foi rápido, Bernard estava esfomeado, comeu tudo o que podia. Logo, logo, a mulher estava pedindo que as crianças fossem ao banho. Ele não queria tomar banho, banho significava trocar de roupas e ele não gostava de trocar de roupas. Mesmo assim não houve hesitação de sua parte, em poucos minutos estava todo engomadinho e seu urso havia sido levado para a lavanderia para que fosse limpo.
A noite foi tranquila, eles sentaram todos na frente da TV e começaram a assistir desenhos animados, eram muitos. As crianças estavam felizes, riam com as trapalhadas dos personagens, tudo estava tranquilo. Até que ficou tarde, uma da manhã, Jay e seus pais pendiam de sono, porém, Bernard estava com os olhos fixos na TV.
O cartoon parecia infinito e não demorou muito para que ele, Bernard, começasse a chamar os outros para que acordassem e voltassem a assistir. Não, na verdade ele começou a chamar enquanto cutucava os outros.
– Jay, acorda. Acordem.
Primeiro foram os adultos, depois Jay. Eles acordaram e ficaram observando assustados. Bernard estavam pulando na frente da TV, estava alegre, como nunca havia ficado nos seus cinco anos de idade, Jay se levantou e ficou olhando fixo a TV, queria ficar alegre também. Mas seus pais não estavam nem um pouco alegres, crianças daquela idade não deveriam ficar acordadas até tarde.
– Vamos dormir crianças? – o pai chamou.
Bernard parou de imediato. A Tv desligou sozinha e do lado de fora era possível ver que uma chuva repentina caía. As coisas ficaram quietas dentro da casa, ninguém dava um pio. Bernard olhava todos fixamente, ele não queria ir dormir, ele não queria que ninguém fosse dormir. Ele relaxou, percebeu a tensão. A TV ligou, a chuva parou.
– Está cedo, vamos assistir. Está muito divertido. – ele falou como qualquer criança falaria, porém, ele não era qualquer criança.
Os mais velhos se entreolharam, estavam sentindo uma mistura de terror, incredibilidade e curiosidade. Uma pergunta traduzia tudo isso junto: “Será que foi ele que fez isso?”. Eles tentaram disfarçar, não queriam arriscar nada.
– Não, querido, está tarde. Precisamos dormir, assim podemos assistir mais amanhã. Você deve estar muito cansado, olha só esses olhinhos fundos. – a mulher falou carinhosamente.
Bernard ficou tenso outra vez, só que desta vez a TV continuou ligada, entretanto quase nenhum som era emitido no recinto, exceto um som de passadas macias no assoalho de madeira. Uma, duas, três... parou. Uma, duas, três... parou. Uma, duas, três... parou.
Nenhum dos outros três se arriscou olhar para trás, Jay já havia se urinado todo e olhava fixo para seus sapatos, mas ele não acreditava que nada daquilo fosse culpa de seu novo amiguinho. Os adultos olhavam fixamente para Bernard. Uma, duas, três... parado. Uma, duas, três... parado. Uma, duas, três... parado.
– Ok, mamãe, vamos dormir. – Bernard falou carinhoso, mas ele não estava relaxado.
Os outros três apenas obedeceram, os adultos levaram as crianças escada acima, Jay ficou em seu quarto enquanto Bernard era levado para outro, talvez fosse um quarto de hóspedes. Os três entraram lá, a mulher foi até uma pequena cômoda e pegou um par de mantas, estavam cheirosas, como se tivessem acabado de serem lavadas.
O homem agarrou Bernard nos braços e o levou para cama... o ursinho estava lá, estava limpo. Ele ficou assustado, não havia colocado a pelúcia ali e ele sabia que sua mulher também não. Mesmo assim deitou o garoto como havia feito com seu filho, cobriu-o com as mantas cheirosas e deu-lhe um beijo na testa, desejando boa noite. A mulher fez o mesmo e eles saíram do quarto fechando a porta.
Alguns minutos depois e Bernard sentou-se na borda da cama, ele tinha medo de pular, era alto para ele e assim foi pela borda até o outro lado da cama com seu ursinho na mão esquerda, agarrou a colcha que cobria a cama e desceu, não fez barulho algum. Depois de descer, ele começou a tirar todas as roupas que vestia, ficou apenas com o shortinho.
Com ajuda do ursinho saiu do quarto. Desceu as escadas engatinhando, estava de volta na sala. Ligou a TV, ela ainda estava muda. Ele foi para próxima de grandes cortinas que cobriam as paredes da casa, pegou seu ursinho e abriu com dificuldade seu zíper lá dentro havia um pequeno isqueiro e pequena garrafa com álcool, jogou apenas uma tampinha do seu álcool na cortina acendeu o isqueiro, colocou fogo na cortina.
Voltou para TV, passou a mão no display enquanto a parede começava a incendiar, depois de alguns segundos passando a mão, ele se afastou e na tela a frase se formava.

EU SÓ QUERIA QUE VÍSSEMOS TV.

Abriu a porta da sala, de novo com ajuda do seu ursinho, o fogo agora tomava conta de todo o recinto. Saiu da casa, o som da TV agora era estridente. Fechou a porta, conforme escutava a família gritando ao perceber o local ardendo em chamas. Estavam todos trancados.
A rua estava deserta, era madrugada e as luzes dos postes ainda davam curtos. Bernard já ia muito longe da casa que ardia em chamas, cabeça baixa, ombros caídos, nu da cintura para cima, arrastando seu ursinho de pelúcia pela perna na sua mão esquerda. Ele continuou caminhando, parou, levantou a cabeça vagarosamente e olhou para frente, um homem de terno o observava, ele baixou a cabeça e prosseguiu até o homem.


E é assim que finalizamos o primeiro capítulo da série... fiquem atentos, voltaremos em breve com mais. Mas agora é sua vez, deixe aí nos comentários o que vocês acharam. Quais suas expectativas para os personagens? O que vocês acham que vai acontecer? O que querem que aconteça?Vamos lá, interajam, sejam bons leitores.

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